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| 07/02/2008 |
Balanço
Começo de ano sempre é aquela maré vermelha. Muitas contas para pagar e o mesmo salário minguante no bolso. Os 30 reais cobrados pelo Uol estão ficando cada vez mais pesados. OK, isso é o que eu gasto em uma pizza. Mas se eu parar de dar essa grana pro Uol, vou poder comer mais uma redonda por mês, certo? Então, estou testando mecanismos alternativos e gratuitos de blog.
Anote aí o endereço da vez: http://retalhosdemim.wordpress.com
Prometo que ainda volto com a foto do guri fantasiado de "paiaço"!
Escrito por Denise às 17h32
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| 01/02/2008 |
Esquindô-lelê
Por mais um daqueles motivos desconhecidos que moram apenas e unicamente na mente infantil, ontem Murilo não queria dormir. Cansado, morto de sono, ainda assim o guri resistiu bravamente às inúmeras tentativas dos genitores de colocá-lo na cama. Deu um baile na mãe, testou o "Úqui" (Luc, como eu chamo o maridão), até que finalmente caiu no ronco (sim, o pequeno ronca às vezes!). Eram quase 23h!
Fiz, então, os últimos ajustes na fantasia do guri. Ou melhor, apenas adornei seu boné com pompons de lã, para imitar o cabelinho do palhaço. Recortei uma gravata-borboleta em um pedaço de pano vermelho e pronto, tudo certo para a estréia de Murilo no carnaval!
Eis que hoje pela manhã, por mais que eu e o paizão insistíssemos, o pequeno se recusava a vestir a fantasia. "Tira, tira!", ele pedia. Só se convenceu depois que falamos do primo Enzo vestido de pirata, do Thales (amigo do Enzo) à Jack Sparrow, de alguém trajado de Homem-Aranha e, por fim (e mais convincentemente), do tio Hugo pulando carnaval vestido de palhaço. Só faltou o menino dizer "Ah, tá, se o tio Hugo vai de palhaço, eu também vou!".
Importante dizer que tanto a roupa do pequeno quanto a do tio foram confeccionadas por ninguém mais ninguém menos do que a Bá, sempre tão habilidosa.
Dias atrás, falava para o Murilo que no carnaval as pessoas costumam usar fantasia para brincar. Então, perguntei se ele queria uma fantasia. "Exe qué!", disse o menino, de sorriso nos lábios. Fiquei surpresa com a pronta resposta e arrisquei: "Ah, você quer uma fantasia? E você quer uma fantasia de quê?". A réplica veio aos brados: "paiaço, paiaço, paiaço". Convenci-me na hora de que ele merecia uns adereços para o isquidum-isquidum.
Relatei o diálogo para a Bá, que na hora já se dispôs a fazer a roupa do guri, junto com a do tio, que já estava encomendada e quase pronta.
Hoje pela manhã, Murilo pegou a fantasia das minhas mãos e a guardou diversas vezes, afirmando categoricamente que não, ele não queria vesti-la. Suspirei, respirei fundo, suspirei de novo. Será que o trabalho da Bá tinha sido em vão?
Felizmente o menino é um bom entendedor e, para esse tipo de gente esperta, basta meia palavra, não é mesmo? E assim ele não só vestiu a roupa de palhaço como também pôs o boné com os cabelinhos e o tão característico nariz vermelho! Acho que nem ele acreditou no que viu no espelho. Tocou com o dedinho a bolota vermelha, deteve-se longamente nos chumaços de lã colorida e ainda observou cada detalhe do macacão... Nossa, quem é esse palhaço?
Escrito por Denise às 14h33
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| 31/01/2008 |
(Quase) cansei do jeans
Ele já foi símbolo de rebeldia, vestimenta de operário, traje exclusivo de ocasiões informais. Agora, o jeans faz parte da nossa vida tanto quanto... sei lá, pão com manteiga!
Eu tenho a felicidade de trabalhar em um lugar que impõe poucas regras quanto ao vestuário. Aliás, não há qualquer tipo de norma desse tipo, pelo menos que eu conheça. Então, usufruo de uma boa liberdade para me vestir todas as manhãs.
Para mim, essa sempre constituiu uma enorme vantagem. Só de me imaginar de calça social e sapato já sentia o calo apertar. Além do conforto, na minha opinião, esses trajes sempre prescindiram de cores, detalhes alegres, toques pessoais. Pois então, adotei a dupla calça jeans e camiseta como uniforme.
Durante a gravidez fui obrigada a rever meus conceitos. Não há nada mais desconfortável do que calça jeans quando se está grávida. Eu, pelo menos, sentia-me amordaçada em qualquer calça que não fosse de elástico. E mesmo assim, o elástico precisava ser beeeem elástico. Entraram em cena, ou melhor, saíram do guarda-roupa peças como calça-pijama, macacão, batas (muitas, muitas, muitas batas) e (ooooh!) saias até o joelho.
Veio o filho, foi-se a barriga (ou parte dela). É duro admitir, mas meu corpo mudou muito. A barriga não muchou tanto quanto eu gostaria, os seios e o bumbum diminuíram ainda mais após o desmame do Murilo (como se isso fosse possível), as coxas permaneceram roliças. Enfim, se eu já não era lá uma miss, agora sou ainda mais desproporcional. Em tempos de calça skinny (fico imaginando como é que as "xuxucas" fazem para vestir isso aí), está cada vez mais difícil encontrar um jeans que me sirva (e que possa ser vestido em locais públicos, importante dizer).
Ainda não desisti, porque nem meu tom amarelado me impede de ser brasileira. (Conselhos são bem-vindos, doações também!)
Escrito por Denise às 16h26
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| 30/01/2008 |
Ar mal acondicionado
Quando a moda surgiu, torci o nariz. Já faz algum tempo e eu continuo de nariz torcido em trens, trólebus e demais coletivos que operam com ar condicionado.
Em um país tropical, de temperaturas elevadas, pode-se pensar que o tal dispositivo oferece conforto aos passageiros. Quem não gosta de um ar geladinho para se refrescar? Mas a boa impressão inicial passa assim que o aparelho pifa. Ou opera parcialmente. Ou funciona tão bem que arrepia os pelos dos braços e faz os lábios ficarem roxos.
Uso trem diariamente para ir ao trabalho e voltar dele. Nesse cotidiano, além de me revoltar com o péssimo serviço de transporte coletivo metropolitano, invariavelmente me pergunto por que os trens "novos" são equipados com ar condicionado - e, logo, com janelas que não se abrem, a não ser com pedradas. Vamos aos fatos:
- o trem está sempre lotado, e o ar condicionado não dá conta de tanta demanda por ar! Resultado: um ambiente abafado, malcheiroso e provavelmente lotado de vírus;
- muitas vezes o ar condicionado quebra e nem sempre (nunca?) a composição é substituída por outra em bom estado. Resultado: um ambiente mais do que abafado, muito malcheiroso e certamente lotado de vírus, além de passageiros suando aos litros, bancos estofados umedecidos e muita gente passando mal;
- a temperatura dentro dos trens nunca é compatível com a externa. Se fora faz calor, pode ter certeza de que no trem fará ou muito frio (de bater o queixo) ou mais calor ainda (de desmaiar). Resultado: um ambiente abafado ou congelado, malcheiroso e lotado de vírus, e se não estiver assim, pouco importa, porque não há sistema imunológico que agüente essas mudanças bruscas de temperatura.
Além desses problemas, posso concluir que os trens permanecem sempre com as portas fechadas, mesmo quando não estão em uso. Invariavelmente, quando se entra em um vagão, sente-se um forte cheiro de mofo. É óbvio, com tanta gente entrando e saindo, sentando-se nas cadeiras estofadas, acumula-se umidade. Se as janelas dos trens pudessem ser abertas, o problema estaria resolvido.
Mais uma coisa. Será que os filtros do ar condicionado dos trens são devidamente e periodicamente higienizados? Eu tenho cá as minhas dúvidas...
São tantos fatores contrários ao ar condicionado que eu chego a preferir os trens antigos, que não dispõem desse aparato, balançam bastante e parecem ter menos assentos (nunca os contei para ter certeza). Mas, pelo menos, nessas composições é possível respirar, o vento fresquinho entra pelas janelas e deixa o ambiente agradável. Nem o ruído mais alto dentro desses trens incomoda tanto quanto o ar condicionado nos trens "novos".
As mesmas observações aplicam-se ao trólebus, que também uso diariamente.
Isso dito, dá para entender e aceitar melhor as minhas repetidas gripes, não é mesmo? Saio de casa de manhã, sigo apertada em um microônibus (sem ar condicionado) até o centro da cidade. Depois de aguardar o trólebus em um ponto onde venta muito, pego o elétrico até o ponto final, já sofrendo com o ar condicionado. Desembarco e então caminho uns poucos minutos até a plataforma de trem, onde também venta bastante. Finalmente tomo o trem e depois de meia hora no ar condicionado (que pode ou não estar funcionando, como já disse), chego à Estação da Luz. Para sair dela, porém, preciso me espremer em uma das duas únicas escadas-rolantes da plataforma, torcer para não ser acertada pela goteira que persiste na altura dos últimos degraus, suportar um pouquinho do ar quente do subsolo da estação, para então emergir na calçada, onde encaro de novo a temperatura "ambiente". E na volta o martírio se repete, ainda que em ordem inversa. Com o cansaço do dia de trabalho, o percurso torna-se uma jornada quase insuportável. Aliás, é insuportável. Mas por enquanto não tenho outra saída.
Escrito por Denise às 14h44
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| 29/01/2008 |
O aluno
A Prô Silvana me deu um CD cheinho de fotos do Murilo na escola. Confiram algumas das poses do aluno no meu álbum de fotos!
Escrito por Denise às 17h56
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| 28/01/2008 |
Carta
Carta enviada aos e-mails: fale@stm.sp.gov.br, usuario@cptm.sp.gov.br, emtu@emtu.sp.gov.br, ouvidoria@cptm.sp.gov.br, ouvidoria@emtu.sp.gov.br e atendimento@metra.com.br.
São Paulo, 24 de janeiro de 2008.
É véspera do aniversário da cidade, o que quer dizer que hoje muitos trabalhadores sairão correndo de suas cadeiras para aproveitar melhor o feriadão que se aproxima. Para mim, além da perspectiva de ficar um dia a mais em casa, há as tenebrosas previsões de condução cheia (de gente e de mala) e de trânsito ruim, que ainda podem ser pioradas caso São Pedro resolva derramar suas lágrimas.
Em geral, eu me resignaria... muda, aflita, percorreria como fosse possível o trajeto que separa as minhas duas vidas - a profissional e a familiar (ou particular, como preferir). Mas hoje não, hoje desejo expressar o quanto me sinto estupefata por tudo o que enfrento diariamente em meus deslocamentos pela Região Metropolitana de São Paulo.
Resido em São Bernardo do Campo, muito perto de onde morava o Presidente da República antes de se eleger. O que para uns é privilégio e, para outros, motivo de martírio, para mim só mostra o quanto o transporte coletivo em nosso país é relegado a segundo plano. O bairro onde moro, como se pode imaginar, localiza-se em uma boa região, que, embora não seja luxuosa, dispõe de vários serviços básicos, como posto de saúde, padaria, farmácia, supermercado. Fica a poucos quilômetros do centro da cidade, mas para se chegar lá, é preciso caminhar 20 min ou 30 min (dependendo do passo) ou esperar esse mesmo tanto por uma das duas linhas de ônibus que servem a região - cujos pontos de parada ficam em locais distintos, diga-se de passagem. E depois de tanto esperar por um desses ônibus, há que se dizer, será preciso ter as mãos firmes para se segurar, pois invariavelmente o microônibus estará lotado e haverá menos espaço do que passageiro. Felizmente a viagem até o centro dura pouco, em menos de 10 min de condução se chega lá. Com tanta espera, tanto aperto e tão reduzido percurso, pode-se pensar que o transporte é barato - que nada, são R$ 2,30 por viagem!
Pois bem. Chegando ao centro de São Bernardo, tenho algumas opções para seguir até a região da Luz, no centro de São Paulo, onde trabalho. Não vou listar todas elas aqui, seria um exercício inútil, pois independentemente do meio utilizado, a viagem levará mais de hora e consumirá bons reais. Depois de alguns testes (e muitos atrasos), optei pela dupla trólebus + trem. Comprando o passe de integração, a dupla sai por R$ 4,30, mas há alguns incovenientes: nem sempre há passes para venda nos guichês e, quando há, nunca em quantidade suficiente (neste caso, não vale seguir a recomendação de comprar antecipadamente o bilhete); no percurso de volta, em que utilizo o trem antes do trólebus, muitas vezes tenho problemas para validar o bilhte na catraca do trólebus, sendo necessário trocar o passe no guichê, o que por sua vez exige pegar fila, preencher formulário, dar satisfação ao funcionário do terminal e só então retornar à catraca.
De manhã tanto o trólebus quanto o trem andam cheios, porém não lotados. É possível se mexer e respirar, mas dificilmente sentar-se. Já à tarde, depois de um dia inteiro de labuta, a situação é bem mais periclitante.
Não há muito como descrever como são os trens. Qualquer adjetivo que eu utilize será fraco. É preciso ver com os próprios olhos. Não exagero, não. Conto um causo verdadeiro.
Em 2005, grávida, eu tentava convencer meu marido de que o trem não era um meio de transporte seguro. Falei sobre a lotação, sobre o empurra empurra no embarque, sobre as cotoveladas (e outras coisas mais) durante a viagem, sobre os riscos de queda no desembarque, sobre o desrespeito aos assentos reservados... falei, enfim, sobre todas as coisas que me afligiam nas viagens de trem. Ele não se convenceu totalmente, pois toda a propaganda governamental e institucional dizia o contrário. Por uma coincidência qualquer, num desses dias, a TV mostrou ao vivo as plataformas da Estação da Luz e eu apontei: "olha ali, é aquele trem ali que eu pego todo dia, e neste horário!".
Meu marido embranqueceu. Depois ficou amarelo, azul, verde, roxo de raiva. "Por que você não falou que era assim?" Uai, eu bem que tentei. "Desumano", era o adjetivo que ele queria.
Pois bem. Todas as manhãs, ao desembarcar na Luz, em um horário que eu considero calmo, sinto-me como boi indo para o abate enquanto sou espremida pela multidão que tenta descer pela escada-rolante. Depois da reforma, concordo, a Estação ficou linda, mas para quem olha de cima, de fora, de longe. Para quem a usa cotidianamente, duas esacadas-rolantes e uma escada comum para um trem inteiro de gente é muito pouco. É perigosamente pouco. Sempre peço aos meus protetores para que nada aconteça na plataforma, porque se for preciso evacuá-la rapidamente, terei apenas as paredes como caminho possível, num insano desejo de me transformar em homem-aranha.
Entrar no trem e sair dele, já disse, constitui uma tarefa difícil. Ficar nele também, não só por causa do aperto, mas também por causa do ar condicionado. Às vezes, ele funciona tão bem que bota todo mundo pra espirrar. E para ter certeza de que falo a verdade, basta observar, quem utiliza esse transporte diariamente sempre traz uma blusa, mesmo que os termômetros estejam passando dos 30 graus. Só que às vezes o ar condicionado não funciona ou funciona mal. E não sei dizer qual é a situação mais desagradável - o frio intenso contrastante com o clima externo ou o abafado e o calor que fazem todos pingar. E molhar os assentos acolchoados, devo dizer. Embora estes itens constituam um conforto a mais para o usuário, transformam-se em um atentado à saúde, uma vez se umedecem com o suor e jamais secam, permanecendo no ar aquele conhecido odor de cecê misturado com um quê de mofo. Ah, os odores, não posso me esquecer: como uma pessoa alérgica que sou, levo sempre um pacote de lenço na bolsa, pois não há nariz que suporte o ar viciado que circula dentro dos vagões. É de tirar o fôlego, pena que no mal sentido.
Diante de tanta reclamação, algum burocrata pode se insurgir: "mas é um meio de transporte rápido". Hum... deixe-me pensar. Sim, de fato, o trem é rápido, desde que... ele ande rapidamente. A chuva por vezes desacelera as composições, o que compreendo e aceito, porém há atrasos, demoras, lentidões que de tão freqüentes tornam-se inexplicáveis. Por mais que eu esteja todos os dias, no mesmo horário, no mesmo lugar da plataforma na Luz, cada vez chegarei em um horário a Santo André. E a única explicação que encontro para isso é: falta de confiabilidade e regularidade.
Chega? Ainda não. Resta protestar, ainda, do alto custo disso tudo. As tarifas são elevadas demais para a baixa qualidade do serviço. E como se não bastasse o peso no bolso, há também o peso na vida, ainda mais grave. Porque eu tenho apenas 30 anos, mas já estou cansada de pedir desculpas ao meu filho de 2 anos por ter chegado atrasada - mais uma vez, e de novo, e outra vez mais. Trabalho e ganho a vida honestamente, pago todos os impostos que devo - por mais que isso onere meu orçamento -, não furo fila nem passo por baixo de catraca... Por que, então, tenho de arcar com uma política pública de transporte tão ridícula?
Queria que alguém me respondesse.
Denise Yoshie Niy de Morais 30 anos usuária de transporte público metropolitano R$ 13,20 e cerca de 3 horas por dia - no mínimo - para trabalhar
Escrito por Denise às 09h39
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| 16/01/2008 |
Volta às aulas
Minhas férias escolares sempre foram espetaculares. Nada de viagens à Disney tampouco temporadas no acampamento. Nada disso. Nas minhas férias, eu acordava cedo para ver Gato Félix na TV, tomava café da manhã na sala e logo saía para a rua. Esconde-esconde, polícia e ladrão, mãe da rua, pula-cela, bola, bicicleta, bambolê, corda, as brincadeiras se multiplicavam conforme as outras crianças da vila despertavam. Para os dias de chuva, providenciávamos uma mãe disposta a oferecer bolo com chá ou então os magníficos bolinhos de chuva (ou da Tia Nastácia). Então, era hora de gato-mia ou cabra-cega no quarto escuro, de embalar as bonecas e trocar suas roupas mil vezes, de festejar o aniversário de um brinquedo qualquer, de fazer comidinha com as folhas de cenoura ou erva-doce, de jogar mico e, glória dos dias mais quentes, de tomar banho na enxurrada.
Quando as férias acabavam, encarava com alegria a volta à escola. Reencontrar os amigos e as amigas, conhecer alunos novos, saber quem seria a professora. O tititi e o corre corre, interrompidos pelo sinal, eram logo retomados no recreio. Enquanto uns mal tinham tempo para beber água e fazer xixi, outros encaravam a fila da merenda e uns felizardos se acotovelavam na cantina para comprar uma minipizza ou um saco de salgadinho.
Sempre achei meio estranha essa história de redação intitulada "Minhas férias". Minhas férias costumavam ser como as de qualquer outra criança saudável: cheias de tempo para brincar.
Espero sinceramente que as férias do Murilo tenham sido assim. É uma pena, mas como mãe trabalhadora e dona de casa limitada, eu sequer fiz um bolo para o guri (ainda que tenha lhe oferecido muitos e muitos pedaços de panetone). De qualquer forma, na segunda-feira ele retomou sua rotina escolar.
Acho que ele estava ansioso. Assim como eu adorava arrumar minha mochila, guardar os lápis no estojo colorido, alisar as folhas do caderno novo, Murilo ficou extasiado ao ver a mochila da escola pendurada no varal. Mal ela secou, o pequeno a pegou para arrastar pela casa. "Ecola, ecola. Chiyia, chiyia.", ele gritava sem parar (Escola, escola. Mochila, mochila. Que quer dizer "mochila da escola".).
Disse ao guri que ainda era domingo, mas que ele ia dormir e, quando acordasse, já seria hora de ir para a escola. Ele entendeu tão bem que após o cochilo vespertino (que durou das 17h às 20h, para meu desespero), Murilo levantou bem disposto para encarar o primeiro dia de aula. Lá fora as estrelas ainda apontavam no céu e o menino, todo eufórico, arrastava a mochila pela casa, pegava na minha mão, levava-me até a porta: "ecola, mamãe, vem".
Era quase meia-noite quando o estudante convicto finalmente se rendeu ao sono.
E no dia seguinte - a famigerada segunda-feira -, pulou da cama quando eu contei que não podíamos demorar, afinal, era dia de ir para a escola. Murilo correu até a sala, arrancou a mochila da cadeira e se precipitou em direção à porta: "ecola, mamãe". Não quis comer - ignorou o mamão, não quis saber de bolo, nem deu bola para o pão com requeijão. Mal bebeu um gole d'água! E como o papai não saía do banheiro, ele tratou de apressar o genitor, batendo na porta com a mão espalmada, aos berros: "pai, papaaaaai, vem, vem".
Quando finalmente chegou à escola, Murilo pulou para o colo da tia Sil. Deu tchau para o papai, mandou um beijo para a mamãe, então virou-se para a tia Sil e começou a tagarelar. Deve ter ficado a manhã inteira contando as novidades das férias!
No fim do dia, ao reencontrar o guri, perguntei sobre o primeiro dia de aula. Ele, então, surpreendeu mais uma vez, contando que havia brincado com a Amanda, com a Juju e com o Matheus também. Disse mais um montão de coisas, que nem dá para eu contar aqui. Blog não tem tecla sap, né....
Escrito por Denise às 11h15
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Para quem tem olhos
Basta ver.
Eu só perco em altura para o meu filho. A Vi e a Fá têm as madeixas mais longas. Os pés do Rocinha são proeminentes. O cabelo do Piu espeta mais do que porco-espinho. Certas coisas não mudam!
Em compensação...
O Gus e o Zunto não usam mais óculos. As lentes do Tic estão limpas. O Nardão fala. É, alguma coisa tem de mudar, né?
 Créditos da foto: Rocinha.
Justiça seja feita: os agregados e as agregadas só acrescentaram brilho ao grupo!
Escrito por Denise às 10h13
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| 15/01/2008 |
Saudade
Só de saber que uma pessoa querida estará em um local distante, já dá uma saudaaaaade!
É assim com a minha prima paranaense, a qual eu encontrava em raros festejos familiares, o que era normal e aceitável, mas desde sua mudança para a terra do Tio Sam, passei a sentir tanto a sua falta...
Com meu outro primo, irmãozinho da supracitada parenta, é assim também. Nós nos encontrávamos uma vez ao ano, em uma competição de natação exclusiva para japadescendentes. Há uns meses, ele partiu para a terra dos nossos avós em busca de aventuras, e então parece que o oceano que nos separa tem o tamanho da galáxia.
Não é só amigo de sangue que desperta esse sentimento em mim. Com amigos de escola é assim também.
De uma hora para outra, a turminha que habitava o entorno da escola foi se espalhando, migrando para lugares cada vez mais distantes. Primeiro, alguns abcdeiros mudaram-se para a capital, onde outros já moravam. Então, foi a vez de um rapaz muito esperto assumir uma vaga profissional distinta em cidade do interior do Estado. Depois, outro rapaz esperto deslocou-se ao litoral, para viver de brisa, água fresca e muita reunião aos sábados (a trabalho, é o que ele diz). E quando eu achava que a cartografia das amizades já se encontrava bem diversificada, um rapazão resolveu ultrapassar limites municipais, divisas estaduais e até mesmo a fronteira nacional. Mudou-se de mala, cuia e esposa para os estrangeiros.
Sábado foi dia de encontrar essa galera escolar. Desejar "Feliz Ano Novo" a todas essas pessoas e a cada uma delas encheu meu coração de alegria, como se os meus votos se refletissem imediatamente, tornando a mim ainda mais plenos de significado.
Na hora de me despedir, meu coração se apertou. Quando o próximo fim de semana chegar, pensei, a turma estará espalhada pelo mapa múndi novamente. Ainda bem que hoje temos Internet e e-mail. Quem sabe aquele amigão do peito manda a foto que tirou da turma toda? A esperança é a última que morre...
A tempo: a saudade de todo mundo é sempre tão grande que não dá para dizer que sinto mais falta de uns do que de outros. No fundo, no fundo, dá vontade de desejar que o tempo volte e não passe mais. Porque ser adolescente era difícil, mas ao mesmo tempo era muito bom.
Escrito por Denise às 14h47
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| 10/01/2008 |
Sobre a promessa
Hoje e só hoje li o texto que a Rosely Sayão publicou em 6 de janeiro. Acho que ele tem muita ligação com o que escrevi ontem, fala sobre a religião da felicidade - e devo admitir que estou sucumbindo a esse culto um tanto irracional. Então, tento retirar a promessa passada (mas já? nem terminou a semana!) e, para este ano, quem sabe, praticarei mais o desprendimento, como propõe a psicóloga.
Escrito por Denise às 09h52
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| 09/01/2008 |
Promessa de Ano Novo
Trânsito, enchente, chefe pentelho... certas coisas azucrinam a nossa vida e, por mais que sejamos cidadãos atuantes e politicamente corretos, nem sempre conseguimos escapar delas. Pena ser a Internet um espaço livre, livre demais, o que me impede de desabafar por completo. Não seria prudente nem polido de minha parte!
Então, tento dar uma guinada de 360 graus para voltar ao mesmo ponto sem sair dele... e quem sabe enxergar a vida de uma maneira um pouco mais otimista, ou menos pessimista que seja.
Desde que parei de amamentar - cerca de 4 meses atrás -, mantenho o apetite intacto, tão feroz quanto na época em que despendia milhares de calorias na produção de leite. Resultado óbvio e previsível: engordei. A novidade, desta vez, é que ganhei muitos centímetros ao redor da cintura, enquanto as outras curvas femininas continuam desavantajadas. Sem peito, sem bunda, com barriga. Que silhueta disforme!
Tudo bem, não posso atribuir o excesso e a falta de curvas puramente ao acaso. Dieta e exercícios existem justamente para sanar tais problemas. Mas (e eu sempre arrumo um "mas" ao meu favor!) como mulher casada, mãe de um menino lindo de apenas 2 anos, trabalhadora de jornada integral, usuária de transporte coletivo da pior qualidade e dona de casa pouco habilidosa não dá para cozinhar uma comidinha da boa nem para manter uma atividade física regular. Que atire o primeiro step quem consegue essa proeza.
2007 terminou sem que eu fizesse uma promessinha sequer relativa ao tema fitness. Passei incólume aos apelos da mídia pró-anorexia. Mas nos primeiros raios de sol de 2008, descobri-me diante do espelho de shorts e blusinha, para então correr ao guarda-roupa e trocar o figurino imediatamente. Além de redonda ainda estou branca e flácida, blargh, não há amor que resista a um look desses.
Decidi. Este ano volto a mexer o corpo de qualquer forma - nem que seja diante da TV, sob a tutela do recém-adquirido DVD de Yoga. E já tratei de comer menos e melhor no almoço de hoje. (Na verdade, a consciência pesada de McLixo me impediu de devorar a tradicional feijoada de quarta. Mas isso não precisa ser levado em conta agora, né?)
Escrito por Denise às 17h17
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| 22/11/2007 |
Sempre quis ser mãe
Sou uma mulher de Balzac. E como eu, a maioria das minhas amigas também. Entre as mais chegadas, conhecidas desde a infância ou adolescência (lá se vão 15, 20, 25 anos de companheirismo!), sou a única mãe.
Embora minha gravidez não tenha sido extremamente planejada, ela foi extremamente bem-vinda. Tem já 2 anos e 2 meses que a minha vida (e a do meu marido) ganhou uma luz intensa e incomparável chamada Murilo.
Confesso que muitas vezes perco o sono pensando em tudo o que deixei, deixo e deixarei de viver por ser mãe. Nessas noites em claro compreendo todos aqueles que optam por não ter filhos, como os entrevistados na reportagem "Sem descendentes", publicada na Folha de S.Paulo de hoje. (Como em todo contato com a mídia, recomendo muito senso crítico na leitura desse texto, pois há nele muitos preconceitos, ainda que o jornal pretenda o contrário.)
Acho muito bom que os casais não tenham filhos por opção. Que ótimo que hoje essas pessoas podem escolher outros caminhos, não são obrigadas socialmente a cumprir um papel que não querem desempenhar. Mas percebo que nos aproximamos do outro extremo da história.
Eu, como as minhas amigas chegadas, integro a elite da sociedade brasileira. Eu e elas concluímos o ensino superior (que termo pedante!), temos bons empregos, com carteira de trabalho assinada, e dispomos de convênio médico particular. Poucos têm tudo isso no nosso país. E para fazer parte desse grupo, além de ter tudo isso de que falei, é preciso também priorizar certas coisas em detrimento de outras. As coisas priorizadas, em geral, referem-se a estudos, carreira profissional, finanças e liberdade descompromissada. Entre as coisas preteridas, em geral, encontra-se a maternidade. Ser mãe antes dos 30 não é mais regra, mas exceção.
Optar por adiar a maternidade por conta de outras prioridades não constitui um problema em si. O problema é que isso ocorre sem que se reflita a respeito. O casal se ocupa de suas ambições diárias e sequer discute se quer ou não ter filhos. Isso, para mim, é muito triste.
Também percebo que muitas mulheres planejam a maternidade como se planeja uma viagem ou um curso no exterior, por exemplo. Algo a se fazer em tal período e pronto. Não se dão conta, infelizmente, de que ser mãe não é apenas decidir QUANDO ser mãe. (Além disso, desconsideram os fatos de que seus corpos não são máquinas, não obedecem a programações da vontade, e de que a tecnologia biomédica - com todos os seus custos psicofísicos e sociais - ainda não se mostra capaz de superar os caprichos da natureza.)
Uma vez, uma colega me disse com todo orgulho que queria ser mãe logo. Nós tínhamos 27 ou 28 anos. Chamou minha atenção não a vontade dela de ser mãe, mas a alegria com que ela falava sobre algo que eu sempre considerei tão inconfessável. Foi então que comecei a pensar sobre o assunto de verdade e descobri, numa dessas noites insones, que eu também queria ser mãe.
Na ocasião, não me preocupei com minha idade. Nem acho que a mulher deva se preocupar com isso. Para mim, planejar a maternidade é preparar-se para ela: ter contato com mulheres que são mães ou pretendem ser, relacionar-se com crianças, ler qualquer coisa que fale sobre gravidez, parto e maternidade, pensar e moldar seu modo de vida (e até mesmo a própria casa) de forma que possa agregar uma criança sem que transformações radicais sejam necessárias, refletir sobre o próprio trabalho e a relação que se tem com ele (e aí eu incluo procurar uma fonte de renda que seja compatível com os anseios de cada uma), pensar e repensar sobre educação e sobre o papel de mãe (o que envolve, ainda, imaginar como ou quem cuidará do bebê nos seus primeiros meses de vida, e depois, nos anos subseqüentes).
Eu não percorri TODO esse caminho antes de engravidar. Mas muitas de minhas aflições teriam sido evitadas caso o tivesse feito.
Nem sei mais o que pretendia quando comecei a escrever. (Se é que pretendia algo!) Agora, desejo de coração que todas as minhas amigas e seus companheiros pensem bem sobre ter ou não filhos. E esse é um assunto que nunca tem fim, porque uma pessoa que opta pela negativa hoje, pode mudar de idéia amanhã. Só não dá para fazer o contrário. Afinal, filhos são para sempre, mesmo aqueles que se vão.
Escrito por Denise às 11h28
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| 14/11/2007 |
Tchiuuu!
Moro muito perto do meu irmão mais velho, o tio Ton do Murilo. Os dois se dão muito bem e invariavelmente quando se vêem, sorriem, gritam, correm, brincam como dois garotinhos levados.
A relação do guri com meu outro irmão, o tio Hugo, é igualmente amigável, mas um tantinho distanciada, já que os encontros não ocorrem com tanta freqüência e o tio tem uma imagem de sério pela qual zela. Só para manter as aparências, diga-se, porque descascando a imagem chega-se a um coração bem derretido e generoso, como o dos outros homens da família.
Irmãos diferentes, tios diferentes, óbvio. Mas a sensibilidade infantil sempre me surpreende.
Vítima da violência urbana, tio Hugo parecia um tanto carente de família no último sábado. Ou talvez ele apenas quisesse usar a Internet e ver TV com controle remoto. Tanto faz. Por um motivo ou por outro, ele passou o dia conosco, ou melhor, nós todos passamos o dia na casa da mamma-mor.
E come, brinca, corre, ri, Murilo passou o dia atrás do tio Hugo. Não podia vê-lo deitado que já corria a acariciar seus cabelos: "cainho, cainho". Ou então recostava as bochechas na barriga do tio e dizia, todo meigo, "nanô", para em seguida erguer a cabeça, de olhos bem abertos: "acoidô"! Então, convencia o tio a se levantar do sofá. Puxava-o pelo dedo, apontava para os brinquedos, falava um monte de coisas que ninguém conseguia entender.
Mal o tio se sentava no sofá, já cansado de seguir o guri, lá vinha o pequeno novamente. Desta vez, trazia os tênis do tio e não sossegava enquanto os pisantes não fossem calçados. Então, entregava ao "tchiuuu" sua carteira e seu celular. Pedia colo, agarrava-se no pescoço do tio, mandava-me um beijo. Murilo então sorria para o tio Hugo, dizendo-lhe (ordenando-lhe!) "xiá!", tecla sap apertada: passear!
Depois de muitas tentativas, Murilo finalmente conseguiu sair de carro com o tio Hugo. Os dois foram à padaria, onde compraram muitas gostosuras para o lanche da tarde. Antes mesmo de sair de lá, é importante dizer, Murilo já tinhas as bochechas e as mãos melecadas de açúcar.
A tarde se passou assim, de forma muito doce. Quando o sol já se escondia e eu me preparava para ir embora, Murilo mais do que rapidamente fez o tio calçar os tênis. Mais uma vez, levou até ele sua carteira e seu celular, pediu colo e agarrou-se ao pescoço do tio.
"Murilo, vamos embora?", "vamos para casa?", "vem com a mamãe"... Que nada! Eu podia passar o resto da tarde e da noite pedindo, implorando para que o guri viesse para os meus braços que não seria atendida. Ele grudou de tal forma no colo do tio que nem um guindaste daria conta de puxá-lo. Em certo momento, tio Hugo perguntou: "Você quer ir para a minha casa?" e o menino olhou nos olhos do tio e deu um enorme sorriso, que obviamente representava uma resposta afirmativa.
Nem bem passou dos dois anos e quer ir para a balada com tio!
Escrito por Denise às 15h26
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| 08/11/2007 |
Berço esplêndido, que nada!
Se setembro foi o mês das férias do papai e da mamãe, dos passeios em família, da festinha de aniversário (dois anos de vida!) e de muitas palavras adicionadas ao vocabulário, outubro... ah, em outubro Murilo deu mais um show de maturidade!
Mamãe e papai apertaram daqui, esticaram dali, juntaram mais um pouquinho de cara-de-pau e ousadia e pronto, surgiram um armário e uma cama, novinhos em folha, no quarto do guri. Foi uma empreitada e tanto. Não só pela aventura financeira, mas também (e eu diria principalmente) pelas arrumações que isso demandou.
Uma enorme estante com mesa e muitas prateleiras foi enfim desmontada e levada do quarto do guri. Lá, desde a ocupação do apartamento, amontoavam-se todas as tranqueiras que não tinham lugar certo. Livros, revistas, aparelhos eletrônicos (novos e velhos), sacolas de todos os tipos e tamanhos, papéis usados e recicláveis, caixas bonitas e caixas feias, bebê conforto, moisés, protetor de berço e mais mantas, roupas de recém-nascido, enfim, uma infinidade de coisas que a gente nem sabia mais que existia.
Deu trabalho.
Muito trabalho.
Bastante.
Mas deu certo! Desde que engravidei, tento em vão limpar aquele pedaço. O máximo que eu conseguira fazer era esconder algumas bagunças em caixas coloridas. A grande faxina só veio mesmo com a percepção de que se aquilo tudo não sumisse do quarto do Murilo, simplesmente não haveria lugar para montar o armário e a cama que compráramos.
Obviamente algumas coisas ainda estão improvisadas pela casa, mas aí já é outra conversa. Quem sabe em outro choque de arrumação? O quarto do guri, pelo menos, está apresentável. E ele, quem diria, deu um show de maturidade. Desde o primeiro dia dormiu que nem um anjinho na cama!
Hoje penso que poderia ter providenciado essa cama muito antes. Porque abrir os olhos e ver aquele sorrisinho maroto logo ali é algo fantástico. Ser acordada por passinhos apressados no corredor também tem um sabor especial. Sem contar as vezes em que o menino, já cansado, escala a cama, põe o dedinho na frente dos lábios e faz "ssshhhhh!". E eu, pé ante pé, retiro-me do quarto "tudo bem, já entendi, você vai nanar!". Olha só... meu pequeno já não é mais um bebê.
Escrito por Denise às 16h33
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| 10/10/2007 |
Festejamos
Tinha um rádio no aniversário do Murilo. No aniversário do Murilo tinha um rádio. Assim se resume a festa, pelo menos para o pequeno. Ele passou boa parte do seu precioso tempo apertando botões, descobrindo funcionalidades, inserindo e retirando CDs, enfim, fuçando no som portátil do tio Ton. Tios, tias, padrinho, madrinha, papai e mamãe, um pelotão inteiro tentou convencer o guri de que havia coisas mais interessantes a se fazer em plena comemoração de aniversário. Mas qual o quê...
Murilo foi o DJ da sua própria festa. Entre uma música e outra, arrumou um tempinho para atender os convidados, comer coxinha, fugir do salão, entrar no elevador, brincar com o Enzo e com o Caio, infelizmente únicas crianças presentes. A prima Isabelle já se autoproclamou moça, passou as horas a servir as mesas, a informar as pessoas sobre os enfeites da festa, a solicitar colaborações para o seu próximo aniversário (que, diga-se de passagem, será em abril!). Garota muito gentil, uma graça, que vive essa época tão maravilhosa (e tão conflituosa) da vida, que é a saída da infância.
É uma pena que hoje se estique a adolescência, encurtando a infância, de um lado, e postergando a vida adulta, de outro lado. Mas não vou entrar nesse assunto, porque Murilo será sempre meu pequeno! E ainda que eu deseje que ele cresça e fique forte, que ele passe mesmo os primos Marcus e Renan, ah, que importa seu tamanho de fato? Eu nunca vou ter pudores para acordá-lo dizendo "meu anjinho, hora de levantar", ainda que se esconda debaixo do travesseiro uma cara remelenta, toda amassada e cheia de espinhas! E esse mesmo anjinho, antes mesmo de abrir os olhos, vai reclamar, praguejar e me mandar plantar batatinha - nada parecido com o sorrisinho inocente que ilumina minhas manhãs da atualidade. Enquanto meu guri ainda cabe no seu berço, aproveito para curtir cada momento ao seu lado.
Por isso eu e o maridão fizemos questão de cantar parabéns para o menino em seu segundo aniversário. Não seria justo privá-lo de mais esse rito de passagem por pequenas adversidades financeiras. Tratamento dentário, prestações penduradas, condomínio exorbitante, enfim, nada disso é tão importante quanto as lembranças boas que cultivamos.
Algumas noites antes da festinha (inha, inha, para não exagerar no gasto), mamãe e papai ficaram até tarde, no meio de papéis, cola, tesoura, na maior aula de educação artística. Demos um acabamento às lembrancinhas, fizemos os enfeites da mesa do bolo, terminamos a arte do banner que serviu de painel de fundo. Foi desgastante, mas muito divertido (pelo menos para mim!). E talvez isso explique o fato de termos tirado tantas fotos do bolo! (Muitos repararam, então acho que exageramos mesmo!)
Depois da comemoração, curtimos muito a abertura dos presentes e nos deliciamos com a empolgação do pequeno diante de tantas coisas diferentes, bonitas, coloridas! Não há um brinquedo que ele ignore, ao contrário, o tempo parece curto para quem quer fazer tanta coisa: construir escadas e torres, desmontar o avião e o helicóptero (e usar a maquininha de parafusar para fazer cócegas na barriga!), andar de avião e de ônibus, colocar seis olhos no Sr. Cara de Batata...
Escrito por Denise às 13h39
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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, Livros
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